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A Torre Negra oferece aventura de fácil consumo mirando público jovem

Hoje em dia é difícil encontrar uma premissa mais batida do que essa, ainda mais num momento onde as distopias adolescentes invadem os cinemas. A torre negraE mesmo que o ápice das adaptações infanto-juvenis (ou Young Adult, como os norte-americanos chamam) já tenha passado, A Torre Negra parece determinado a revivê-lo.

Ou então os produtores realmente acreditam que o grande público ainda está sedento por exemplares similares a Jogos Vorazes, Maze Runner, Divergente, entre outros. Mas a verdade é que, superada a frustração inicial de ver uma obra do mestre Stephen King resumida a uma trama genérica que mira o mesmo público-alvo das franquias supracitadas, até que a nova aposta da Sony é eficiente em suas (modestas) pretensões.

“Numa realidade alternativa, um confronto milenar pode colocar todo o planeta em risco, mas um adolescente pode ser a salvação da humanidade”

Dono de uma carreira no mínimo irregular (ganhou o Oscar por Uma Mente Brilhante, mas também assinou pérolas como Insurgente, A 5ª Onda e o mais novo Transformers), o roteirista Akiva Goldsman assinou a primeira versão do roteiro que ainda passou pelas mãos de Jeff Pinkner (O Espetacular Homem-Aranha 2), Anders Thomas Jensen (Entre Irmãos) e do próprio diretor Nikolaj Arcel (O Amante da Rainha), resultando num amontoado de clichês que vão desde o garoto especial que tem seus “dons” ignorados, passando pelo padrasto interesseiro até chegar ao bom e velho “adolescente que tem a chave para a salvação do mundo”.

Sendo assim, o tal garoto é Jake Chambers (Tom Taylor, esforçado) que, depois de sonhar diversas vezes com a torre do título (e desenhá-la como um típico maluco) resolve seguir seus instintos e procurar o lendário Pistoleiro (Idris Elba, sempre ótimo) para evitar que o maligno Homem de Preto (Matthew McConaughey, divertindo-se a valer) destrua a torre e, por consequência, o Planeta Terra. O que Jake não imagina, porém, é que a maior arma para destruí-la encontra-se em sua posse.

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Como é possível notar, a história é simples, resumindo centenas de páginas num clássico confronto do Bem contra o Mal, assumindo, no meio do caminho, a estrutura da consagrada Jornada do Herói, de Joseph Campbell deixando a produção com traços de Star Wars (no que diz respeito a Luke Skywalker, evidentemente) e respaldando seus esforços com a escalação de dois atores de respeito: Elba e McConaughey.

Compondo o Pistoleiro como um herói caído, mas ainda extremamente capaz e seguro de suas habilidades, Idris Elba (Thor, Prometheus) não tem dificuldade de usar sua presença imponente para dominar a tela. Talentoso, carismático e jamais deixando de convencer como astro de ação, o britânico ainda possui boa química com o novato Tom Taylor que, por sua vez, trabalha duro para transformar Jake num personagem fácil de se relacionar com o público e, mesmo que o roteiro não lhe confira momentos brilhantes, seu esforço em cena é admirável, ao passo que Matthew McConaughey não desperdiça a rara oportunidade de interpretar um vilão, esbanjando estilo como o Homem de Preto e evitando um distanciamento maior do público, que pode simultaneamente torcer contra suas ações e admirar suas habilidades.

Habilidades que, por sinal, são bem desenhadas pelo departamento de efeitos visuais, ainda que evidencie em alguns momentos (o fogo criado pelo Homem de Preto) o orçamento limitado da produção. Isso não impede boas passagens envolvendo o embate entre os personagens de Elba e McConaughey e que se dão ao luxo de “homenagearem” a famosa cena de Matrix em que Neo (Keanu Reeves) para dezenas de balas enquanto ainda estão no ar.

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Já o roteiro, além da previsibilidade em decorrência da estratégia, que apontei anteriormente, suscita uma parcela considerável de perguntas como por que um feiticeiro que manipula a mente das pessoas está sempre um passo atrás? Ou por que criaturas extraterrestres sem acesso à internet dizem coisas como “estamos online”?

Talvez ciente desses problemas, o diretor dinamarquês Nikolaj Arcel faz o possível para distrair o espectador, atirando sequências de ação logo após o lento segundo ato e incluindo uma série de easter eggs dos livros de Stephen King durante a projeção, como um imenso letreiro de um antigo parque de diversões (que divide com o palhaço de It: A Coisa, o nome Pennywise) o código 14-08 para a criação de um portal ou até mesmo uma miniatura do carro de Christine: O Carro Assassino.

Preocupando-se em mandar o espectador para fora da sala de projeção com uma boa sensação, A Torre Negra é um filme que provavelmente fará sucesso naquelas sessões de domingo à tarde, graças à sua trama de fácil entendimento, à sua curta duração e à boa aventura que proporciona sem limitar seu público.

Se é só isso que uma obra de Stephen King poderia oferecer, aí já é outra conversa.

Hoje em dia é difícil encontrar uma premissa mais batida do que essa, ainda mais num momento onde as distopias adolescentes invadem os cinemas. E mesmo que o ápice das adaptações infanto-juvenis (ou Young Adult, como os norte-americanos chamam) já tenha passado, A Torre Negra parece determinado a revivê-lo. Ou então os produtores realmente acreditam que o grande público ainda está sedento por exemplares similares a Jogos Vorazes, Maze Runner, Divergente, entre outros. Mas a verdade é que, superada a frustração inicial de ver uma obra do mestre Stephen King resumida a uma trama genérica que mira o mesmo público-alvo…

Avaliação Geral

A Torre Negra

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Sobre Guilherme Khandido

Crítico de Cinema e Carioca. Apaixonado pela Sétima Arte, mas também aprecia uma boa música, faz maratona de séries, devora livros, e acompanha futebol. Meryl Streep e Arroz são paixões à parte...

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