É de conhecimento público que um bom filme não se faz somente com uma boa trilha sonora e inúmeras referências a obras famosas. Até mesmo a DreamWorks finalmente entendeu que precisava de um bom roteiro antes de simplesmente tacar referências gratuitas embaladas com músicas consagradas. Angry BirdsÉ verdade que, até os produtores se darem conta disso, inúmeros filmes utilizaram a famigerada fórmula, como Madagascar, Bee Movie, Kung Fu Panda e tantos outros. Por isso, apesar de todos os problemas  de Angry Birds – O Filme, ainda levo fé na divisão de animação da Sony/Columbia.

Baseado num jogo de celular de enorme sucesso (ah, Hollywood…), o roteiro escrito por Jon Vitti segue o cotidiano do pássaro Red (voz de Marcelo Adnet na versão brasileira) que após um grave incidente, é obrigado a fazer terapia para controlar sua raiva. Entretanto, com a chegada de um suspeito grupo de porcos (isso mesmo), ele parece ser o único capaz de salvar a ilha onde vive. Como dá pra perceber, a história não faz o menor sentido, mas se levarmos em conta que foi adaptada de um jogo em que nos limitamos a atirar pássaros para derrubar edificações, até que não é surpreendente.

E conforme a trama vai ampliando suas lacunas, fica evidente todo o esforço dos diretores estreantes Clay Kaytis e Fergal Reilly, cujo desespero chega a ser comovente. Afinal, uma história vazia (ou inexistente) ao menos poderia render momentos divertidos, o que infelizmente acontece em raríssimas ocasiões e quase sempre em decorrência de referências (como aquela que envolve O Iluminado) ou “homenagens” (qualquer semelhança entre Chuck e o Mercúrio de X-Men, deve ser mera coincidência). Sim, o roteiro tenta incluir algumas “mensagens” supostamente edificantes, mas são tão batidas que o resultado acaba oscilando entre o patético e o piegas.

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Angry Birds
Matilda (Maya Rudolph) peacefully channels her anger in Columbia Pictures and Rovio Animation’s ANGRY BIRDS.

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Angry Birds
Leonard (Bill Hader, center), the spokesman for the pigs, and his top aide, Ross (Tony Hale, left) in Columbia Pictures and Rovio Animation’s ANGRY BIRDS.

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Mas nem tudo é um desastre, pois apesar de ser povoado por personagens unidimensionais, ao menos a versão brasileira confere alguma credibilidade, já que Marcelo Adnet e Fábio Porchat (cuja voz é facilmente identificável) fazem um trabalho bastante elogiável. A parte técnica também não deixa a desejar, fazendo jus ao bom padrão de qualidade estabelecido na indústria. A trilha sonora também deve agradar, já que será difícil não se deixar levar por clássicos do Rock.

Recheado de piadas bobas e rasteiras que parecem tiradas daqueles humorísticos da TV Aberta (ouvir “de Bacon a vida” chega a ser ofensivo), a produção faz questão de deixar claro que seu alvo é o público infantil, o que certamente incomodará os mais velhos e aqueles que esperam um equilíbrio, como o visto nas produções da Disney e da Pixar, por exemplo.

Angry Birds – O Filme é uma produção que visa agradar somente aos [bem] mais novos e, a julgar pela história absurdamente rasa, talvez nem eles lembrem do que acabaram de assistir. Uma pena, pois se os produtores conseguissem a proeza de criarem uma boa história adaptada do jogo, o filme tinha potencial para ser muito mais do que um amontoado de referências gratuitas e boa trilha sonora.

Obs: Há mais uma cena ao final dos créditos.

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Crítico de Cinema e Carioca. Apaixonado pela Sétima Arte, mas também aprecia uma boa música, faz maratona de séries, devora livros, e acompanha futebol. Meryl Streep e Arroz são paixões à parte...

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