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Nova versão de Assassinato no Expresso do Oriente é entretenimento à moda antiga


Conhecida mundialmente como “A Rainha do Crime”, a escritora britânica Agatha Christie (1890-1976) construiu uma carreira sólida em cima de uma reputaçãoexpresso do oriente invejável conquistada através de livros e contos que se destacavam pelas tramas engenhosas e por uma deliciosa atmosfera inquietante de suspense que desafiavam seus leitores a descobrirem quem era o verdadeiro assassino. Com centenas de adaptações para TV, Cinema e Teatro, as obras de Christie nunca deixaram de fascinar e seguem conquistando fãs até hoje, o que, felizmente, não deve mudar com este Assassinato no Expresso do Oriente, nova adaptação (e refilmagem) do clássico literário (e cinematográfico).

Escrito por Michael Green (dos ótimos Logan e Blade Runner 2049), o roteiro segue a clássica trama que desafia o detetive belga Hercule Poirot (Kenneth Branagh, de Jack Ryan – Operação Sombra) a desvendar um misterioso crime a bordo do luxuoso Expresso do Oriente enquanto uma nevasca paralisa a viagem. Já iniciando a projeção com uma sequência que permite a Poirot mostrar suas habilidades dedutivas, o filme é eficaz ao também apresentar o lado mais humano do detetive, que além de oferecer uma comovente justificativa para seu dom investigativo, diverte ao introduzir um divertido TOC.

Kenneth Branagh, (que além de protagonizar a produção também a dirige), é hábil ao retratar essas duas facetas, incutindo a imponência necessária para que seu Poirot seja levado a sério, mas sem perder o bom humor, o que o afasta imediatamente de uma caracterização mais fastidiosa e o converte num legítimo pachola, gerando empatia com facilidade.

Com mais de uma dezena de personagens e menos de duas horas de duração, a produção poderia ter problemas sérios caso decidisse desenvolver cada um destes, mas acaba escapando pela tangente ao limitar-se a caracterizá-los de forma distinta e marcante, resultando numa resolução satisfatória e que é corroborada pelas boas atuações, a começar por Johnny Depp, que vive o típico gângster com culpa no cartório (com direito a cicatriz facial) e Josh Gad (do novo A Bela e a Fera), que também apoia-se na estilização ao compor seu assistente.

Agatha Christie

Brilhantemente coeso e competente, o restante do elenco de apoio ainda inclui Daisy Ridley (a Rey dos novos Star Wars), Michelle Pfeiffer (que em 2017 já havia brilhado em mãe!), Willem Dafoe (do inédito e excepcional Projeto Flórida), Leslie Odom Jr. (do fraco Esquadrão Red Tails) e as vencedoras do Oscar Judi Dench (do recente Victoria & Abdul) e Penélope Cruz (finalmente voltando aos bons filmes).

Seguindo na mesma linha de qualidade, o design de produção concebido pelo veterano Jim Clay (A Dama Dourada), é uma atração à parte, cabendo um elogio especial ao trem do título que se revela um triunfo técnico (e é admirável como a disposição de cada cabine e seus respectivos personagens fica absolutamente clara logo no início).

Além disso, o trabalho de Clay é potencializado pela ótima fotografia de Haris Zambarloukos (do bom Negação) que ao lado de Clay, cria uma atmosfera claustrofóbica que contribui ainda mais para o clima de suspense, sendo responsável também por belíssimos planos, como aquele que detalha a localização do trem em meio a uma avalanche, e outro que mostra Poirot sobre um vagão.

E se Assassinato no Expresso do Oriente jamais soa tedioso, os méritos são da eficiente montagem do experiente Mick Audsley (do irregular Aliados), que confere um ritmo cadenciado (respeitando as etapas da investigação), mas que jamais perde energia, o que já é um feito extraordinário, tratando-se um longa-metragem praticamente ambientado numa única locação.

Em contrapartida, se o compositor Patrick Doyle (do primeiro Thor) acerta ao optar por temas mais discretos (sem comentar as cenas ou influenciar o suspense), a falta de uma trilha memorável acaba sendo sentida ao final da projeção, o que não deixa de ser decepcionante quando lembramos da extraordinária composição de Richard Rodney Bennett (que foi indicada ao Oscar, inclusive) para a adaptação de 1974 dirigida por Sidney Lumet.

Fiel ao livro e plantando a semente para uma vindoura (e bem-vinda) continuação, esta nova versão de Assassinato no Expresso do Oriente é boa o bastante para agradar aos admiradores de Agatha Christie e tem tudo para conquistar novos fãs, comprovando a força e o legado da eterna “Rainha do Crime”.

Conhecida mundialmente como “A Rainha do Crime”, a escritora britânica Agatha Christie (1890-1976) construiu uma carreira sólida em cima de uma reputação invejável conquistada através de livros e contos que se destacavam pelas tramas engenhosas e por uma deliciosa atmosfera inquietante de suspense que desafiavam seus leitores a descobrirem quem era o verdadeiro assassino. Com centenas de adaptações para TV, Cinema e Teatro, as obras de Christie nunca deixaram de fascinar e seguem conquistando fãs até hoje, o que, felizmente, não deve mudar com este Assassinato no Expresso do Oriente, nova adaptação (e refilmagem) do clássico literário (e cinematográfico). Escrito por…

Avaliação

Assassinato no Expresso do Oriente (2017)

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Sobre Guilherme Khandido

Crítico de Cinema e Carioca. Apaixonado pela Sétima Arte, mas também aprecia uma boa música, faz maratona de séries, devora livros, e acompanha futebol. Meryl Streep e Arroz são paixões à parte…

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