Home / Música / Como fiz as pazes com o Rock

Como fiz as pazes com o Rock

EstevaoOlha, antes de começar a falar sobre uma das grandes experiências recentes da minha vida, preciso contar porque o convite da Central 42 para cobrir o aniversário de sete anos da revista Rolling Stones Brasil foi tão importante para mim.

Quando os Ramones acabaram na década de 1990, eu era um rapaz de 15 anos que apreciava todo o tipo de música, mas o Rock ainda me parecia estranho.

No bairro onde eu morava o funk, sertanejo, pagode e até o axé eram os ritmos que tocavam nos shows promovidos por rádios populares nos bairros.

Sempre tinha um grupo de colegas que ficava perto do palco aonde iria se apresentar alguma banda tocando axé, pedindo para tocar Ramones.

Eu achava legal ver aquele grupo falando um nome de uma banda que eu só conhecia das camisas deles, quatro magrelos vestidos de jaqueta preta, calças jeans e com cabelo na cara.

Um dia me disseram que a música no filme “Cemitério Maldito” era deles. E depois fui procurar outras músicas.

As influências religiosas e a falta de dinheiro me faziam apreciar o Rock com receio, e me fez perder grandes oportunidades.

Por isso que, quando soube que Marky Ramone estaria numa festa acompanhado com Michale Graves, ex-integrante da banda The Misfits, só podia resgatar o tempo perdido.

Rumei de Niterói para o evento na Marina da Glória e cheguei por volta das 21h30, pegando o salão vazio. Pude conferir a decoração, com totens com capas de discos,simbolizando os sete pecados do Rock: Rebeldia, Preguiça, Desejo, Ego, Luxúria, Idolatria e Vício.

 
 

O lugar tinha algumas distrações para antes do show, que não decepcionou ninguém: Um game onde o controle era um skate real, sessão de fotos com uma guitarra no espaço da Paco Rabanne, sessão de fotos em cabine com a Close Up e tênis Rainha personalizados por artistas na hora (apenas para sorteados). E muita bebida.

[nggallery id=86]

Na espera do grande show de rock quem se destacou foi o Mc Sapão, com a sua simpatia, atendendo a todos e tirando fotos. Quem apareceu por lá também e logo foi cercada foi a Anitta.

Desculpem pela única foto que tenho dela assinada é a que eu apareço. Só consegui porque ela ficou tentada pela minha proposta dela poder assinar a própria foto.

“– Amei a modernidade, parabéns.” Disse ela, mostrando desenvoltura com a tela touch.Um tablet com caneta chama a atenção!

Também apareceu pro lá o Erik Gustavo, criador do Marcelinho. Como teve que assinar com a mão esquerda, o autógrafo saiu uma m… bem, veja você mesmo! Mas o cara foi gente fina e pelo menos tentou!

Apareceram outros famosos, atores, atrizes, modelos… Todos ignorados porque tinha um tiozão roqueiro com uma cueca do Superman!!!

Pois bem: meia-noite começou o show do Marky Ramone and the Blitzkrieg. Michale Graves se dedicava a cantar as músicas como um legítimo Ramone. Na primeira música, Rockaway Beach, o povo largou o que estava fazendo para prestar sua homenagem aos cabeludos que “não queriam” muita coisa.

Consegui fotografar a lista de músicas. Deixem nos comentários quais vocês conhecem!

“Do you wanna dance?”, “What a wonderful world”, “Pet Samatary” e um bocado de “I don’t wanna”, intercalados por “One-two-three-foooours” não deixavam o pessoal descansar, a não ser num momento onde que o Michale Graves tocou sozinho no violão.

De punho cerrado, socando o ar seguindo a batera de Marky, Graves passava energia para a galera que aproveitava o tributo como adolescentes.

 [ccgallery id=”2″]

Aliás, o que vi foram muitos adolescentes. Homens e mulheres de 30, 40 e seus 50 e tantos anos, fechando os olhos, sorrindo e revivendo uma parte importante de suas vidas.

Mas a mesma modernidade elogiada pela Anitta cobrava seu preço: Boa parte das pessoas deixava de dançar para filmar e fotografar. Outras, twittavam, postavam no facebook. Compartilhavam o momento que não viviam, apenas exibiam.

Mas havia outros que tiravam os óculos, os celulares e smartphones e entregavam às namoradas e esposas, antes de se meter nas “rodinhas”, que não duravam mais do que 40 segundos.O cansaço batia, o corpo logo denunciava que os 16 anos já foram. Quase todos os Ramones se foram.

Mas bastou um para que todos esquecessem os problemas e se entregassem à rebeldia, mesmo que por tão pouco tempo.

 [youtube video=”oFJBwRkRxt4″ width=”600″]

 

[message] Estevão Ribeiro é escritor, roteirista, quadrinhista, ilustrador, autor do blog Eu Rio Muito. Criador de Os PassarinhosPequenos Heróis, A Corrente e muitos outros. [/message]

 

Sobre Central 42

Veja também:

Ivete Sangalo reúne centenas de fãs em São Paulo com repertório de sucesso

Cantora esteve na cidade no dia 01 e 02 de outubro realizando mais um show …