The dance of dragons 3

Chegando forte para encerrar a mais fraca de todas as temporadas de Game of Thrones, o sempre competente diretor David Nutter mergulha a série na habitual carnificina em um episódio que volta a colocar em perspectiva diferentes facetas da violência para todos os gostos.

E consegue criar o impacto ao estabelecer um episódio morno na primeira metade, chegando a flertar com os ideiais de liberdade sexual característiscos de Dorne, o que colabora para o choque causado pelo fanatismo religioso (que sim, sempre caminhará para levar pessoas à fogueira. É uma regra sagrada dessa gente).

The dance of dragons 2

Mais uma vez abertos a tomar todo tipo de porrada, D&D corajosamente incluem temas ainda mais polêmicos, como pedofilia e infanticídio. Ao sugerir que Arya poderia também ser vítima de um estupro, D&D piscam para o espectador que ficou alucinado com o estupro de Sansa para em seguida entregar uma outra criança que ninguém nunca viu. Por não ser uma personagem principal, certamente não causará um frenesi nas redes sociais daqueles que chamam Game of Thrones de machista e, agora, apoiador de pedofilia. Já se fosse a Arya…

A crítica dos criadores da série é bastante clara: a causa da pedofilia e do infanticídio tem origem, respectivamente, em um membro da Guarda Real, a mais alta condecoração de um cavaleiro, e no fanatismo religioso. Claramente D&D apontaram para essas causas e não é à toa que Meryn Trant estará na mira de Arya para fechar o arco de sua personagem nessa temporada, assim como não foi à toa o raccord sonoro dos gritos de Shireen para os aplausos da arena em Meereen, o que acentua com cinismo ímpar a estupidez de todas as causas e efeitos da cegueira religiosa e do senso de que tudo pode entre membros da elite.

Perceba como o criadores e o diretor equilibram esses temas ao mostrar as “punições” que recebem Bronn, as Serpentes e mesmo Elaria Sand. Em um lugar onde há liberdade sexual, não vemos essas atrocidades espalhadas no resto do mundo conhecido e infectado por crenças e religiões. Mais do que isso, há um respeito enorme pela hierarquia, já que Doran não pode se levantar por causa de suas enfermidades e sequer é ameaçado por aqueles que não concordam com suas opiniões.

The dance of dragons 4

Em Meereen, tivemos uma sequência de ação para deixar Hardhome pra trás. Mais fanatismo, dessa vez contra a Rainha Daenerys, a batalha na arena teve uma construção minuciosa de Nutter, ao iniciar com combates individuais, aumentar o número de combatentes contra Jorah e enfim entrar na carnificina que fez sangrar o reino de Dany de dentro pra fora.

Toda a sequência final desse episódio empalidece a batalha de Hardhome que, como disse, só foi boa porque a série estava devendo momentos como aquele. Na arena, além de eficiente narrativamente (pois com poucas palavras as posições de todos os personagens foram definidas), tivemos um momento épico, talvez o momento mais lindo da série desde o nascimento dos dragões. Aos olhos do Tyrion, pela primeira vez em muitos e muitos anos alguém montou um dragão e ali Daenerys atingiu a maturidade Targaryen, com um poder inigualável.

Épico. Que venha o finale.

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Author

Escritor e Crítico Cinematográfico, membro da Associação Paulista de Críticos de Arte e da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.

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