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Eu odeio muito tudo isso


odeio tudo issoUma vez a cada mil anos, eu me aventuro a entrar num Mc’ Donalds. E toda vez que entro, prometo a mim mesmo que nunca mais.

Não foi diferente desta vez.

Eu me meti naquilo porque minhas filhas estavam com muita vontade de tomar uma daquelas “espumas de gordura vegetal hidrogenada, açúcar e aroma baunilha” que eles, candidamente, chamam de sorvete.

Começou pelo balcão sujo, quebrado, equipamentos largados, sem manutenção correta. Mas pensei:

– Vamos lá… Como eu sou chato….Não deve estar tão ruim…!!!!

Fui atendido por uma múmia paralítica com cara de psicótico que não respondia ao que se falava com ele, vestindo um uniforme sujo, cabelos pra fora da touca, unhas compridas, coçando a cabeça… Enfim: um primor de profissional do setor alimentício…!!!!

Fomos para o salão para degustarmos nossa apetitosa iguaria.

Salão nojento… Mesas com restos de comida ressecados e pingos de molho ainda úmidos. Sentei na cadeira, meio que caindo, pois pisei num pedaço de alface com molho que estava no chão. Havia, ainda, espalhados pelo chão do salão, guardanapos usados, canudos, colherinhas de plástico, pedaços das embalagens dos lanches e pedacinhos dos próprios lanches. Nenhum dos profissionais da loja preocupados em manter uma condição decente e salubre para receber seus “clientes”.

Aquele povo sentava naquelas mesas porcas melequentas e pisavam naquele chão escorregadio numa boa, sorridentes, contentes, e afastavam com as próprias mãos, para o chão, os nacos de lanches, papelada e farelos que outros tinham derrubado nas mesas, como se isso fosse normal num estabelecimento que se digna a servir gêneros alimentícios.

A criançada comia toneladas daquelas bombas calóricas cheias de muito açúcar, muito sódio, gordura vegetal e gordura animal, que a grife de “lanchonetes-caça-níqueis (e caça-trouxas)” chama de alimento, o que pelo avançado do horário seria sua refeição do dia.

Depois a molecada pegava, numa mesinha estrategicamente posicionada na entrada da loja, um monte de quinquilharias pra brincar, muitas delas gastas, estragadas ou sujas. Lembrei-me dos colonizadores portugueses do tempo de Cabral, dando bugigangas e doenças aos “selvagens” em troca de suas riquezas.

E o povo feliz, sorridente com suas bocas cheias, escancaradas, sorridentes se entupindo daquela porcariada toda, satisfeitos com o tratamento que recebiam e com o ambiente porco em que conviviam.

Saí do “Mc’Chiqueiro” frustrado, irritado e com a sensação de ter sido feito de besta e roubado por escolha própria. Mas tudo bem afinal o que vale é o amor e eles “amam muito tudo isso”…!!!

Eu, por meu lado, “odeio muito tudo isso“!

Conclusão:

Pra um público de quinta categoria, um atendimento e mão-de-obra de décima categoria.

Ou como dizia minha avozinha querida:

“Pra quem é, bacalhau basta…!!!”

 

Sobre Rogério Portela

Rogério Portela é nascido em São Paulo, casado,pai babão, geógrafo, professor, cinéfilo, músico guitarrista amador, judoca, ex-escoteiro, ex-colecionador de quadrinhos, fã de música (boa) principalmente rock n' roll, leitor contumaz de filosofia, sociologia e temas que botem em cheque nossas certezas ou a falta delas.

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