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Exposição Tesouros da Grafipar resgata história dos quadrinhos em Curitiba

José Aguiar é um apaixonado por quadrinhos. Quadrinista com obras publicadas no Brasil e no exterior sejam em livros ou jornais. Além de divulgador da arte dos quadrinhos em projetos como o Cena HQ Brasil, Osmose (intercâmbio Brasil/Alemanha) e como um dos criadores da Gibicon (Convenção Internacional de Quadrinhos de Curitiba) da qual atualmente é curador. Ao lado do coordenador geral do evento, Fabrízio Andriani, pesquisou o destino que tiveram as publicações e os artistas que trabalharam para a Grafipar, editora curitibana que entre os anos de 1970 e 1980 publicou títulos 100% nacionais de terror, erotismo, ficção científica, aventura, mangá e outros gêneros.

Foi um trabalho árduo de pesquisa. Fosse para encontrar os artistas remanescentes daquele período ou para encontrar material para a realização de uma retrospectiva daquele período hoje infelizmente pouco lembrado. A partir dos acervos da Gibiteca de Curitiba e de artistas que participaram daquele momento histórico foi montada a exposição Tesouros da Grafipar, que será aberta com a Gibicon, nesta quinta-feira (25), às 20h. A mostra poderá ser vista até o dia 25 de novembro, no Museu da Gravura, no Solar do Barão. Além de exibir obras originais e publicações, o projeto reúne pela primeira vez em 30 anos os artistas remanescentes da editora. Grandes mestres dos quadrinhos nacionais que abrilhantarão a abertura da exposição.

A exposição Tesouros da Grafipar é um projeto aprovado pelo Edital de Ocupação de Espaços para Exposições da Fundação Cultural de Curitiba e uma realização da Quadrinhofilia Produções Artísticas que, além da exposição, realizará uma série de palestras debates e oficinas dentro da programação da Gibicon. As oficinas de quadrinhos ministradas pelos mestres Watson Portela, Gustavo Machado e pelo jornalista Gian Danton receberão alunos carentes vindos das regionais da Fundação Cultural de Curitiba.

Editora – os trabalhos da Grafipar foram feitos por alguns dos maiores quadrinistas brasileiros da época, numa iniciativa que não se repetiu, mas que repercutiu na cultura local e nacional. “Foi um sucesso editorial que vendeu milhares de exemplares mensalmente e influenciou as gerações seguintes de autores. Um de seus efeitos imediatos foi a criação de um cenário que permitiu a existência da Gibiteca de Curitiba”,conta.

Segundo Aguiar, não por coincidência, a história da Grafipar se confunde com a da Gibiteca. “Em1982, este espaço fomentador da arte dos quadrinhos pioneiro no Brasil e no mundo, surgia numa cidade que respirava e lia quadrinhos produzidos por alguns dos maiores artistas da época para a editora Grafipar. Foi nesse terreno que se criou o cenário propício à Gibiteca, cuja primeira mostra foi justamente uma coletiva que celebrava os quatro anos da Grafipar. Como seria impossível resgatar numa única exposição tudo o que ela publicou, o foco natural dessa empreitada foram os seus quadrinhos e alguns de seus muitos autores”.

Na retrospectiva, Tesouros da Grafipar, estão revistas da época e reproduções de obras originais de grandes mestres como Claudio Seto, Flavio Colin, Mozart Couto, Julio Shimamoto, Franco de Rosa, Gustavo Machado, Rodval Matias, Watson Portela, Rettamozo, Rogério Dias, Fernando Ikoma, Alice Ruiz, Paulo Leminski, Nelson Padrella, Paulo Nery, Eros Maichrowicz entre outros.

Entre os muitos agradecimentos que faz, Aguiar destaca os papéis de Claudio Seto e de Faruk El-Khatib, em diferentes etapas do processo. O primeiro por ser o mestre dele e de muitos quadrinistas que frequentaram a Gibiteca e com quem aprenderam muito. O segundo, pelo arrojo empresarial de criar uma editora que chegou a publicar 58 títulos por ano e que ousou, ao tirar de São Paulo e do Rio de Janeiro, artistas talentosos que, inclusive se mudaram para Curitiba, criando uma mítica ‘Vila de Quadrinistas”, que tornou Curitiba o polo criativo dos quadrinhos brasileiros da época.

“Lembrar a cidade e o país desse pedaço importante de sua história artística e editorial é uma forma de retribuir os ensinamentos que me tornaram um profissional dos quadrinhos. Assim como a Grafipar foi o sonho de muitos, este projeto foi a realização do empenho de várias pessoas”, afirma José Aguiar.

Tesouros da Grafipar foi realizado com o apoio da Prefeitura Municipal de Curitiba, Fundação Cultural de Curitiba, Fundo Municipal da Cultura – programa de apoio e incentivo à cultura.

Serviço

Tesouros da Grafipar
De 25 de outubro a 25 de novembro
Museu da Gravura
Solar do Barão – Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 533 – Centro – Curitiba / PR
www.tesourosdagrafipar.wordpress.com

 

Sobre Central 42

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