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Falando Curto e Grosso sobre “O Vingador do Futuro”

O Vingador do Futuro pode ser analisado em três níveis. No primeiro, e mais raso deles, é um filme de ação muito eficiente, excitante, com cenas de luta e de perseguição muito bem coreografadas (em especial a primeira luta entre Quaid e Lori), com efeitos especiais de primeira ordem.

Len Wiseman esmera-se em nos apresentar um futuro distópico, com belas e características imagens. Enquanto a Colônia se parece muito com o que vemos em Blade Runner, a Federação lembra muito outro filme baseado em obra de Philip K. Dick, Minority Report – A Nova Lei. O resultado visual final impressiona.

Aqueles que procuram ação desenfreada e bem feita terão um prato cheio. Colin Farrell e Kate Beckinsale estão ótimos em seus papéis. Biel não faz nada demais, mas está confortável como “mulher de ação”. Já o excelente Bryan Cranston tem um personagem caricato demais para realmente permitir que brilhe. Bill Nighy, como o líder da resistência Matthias, quase não aparece, infelizmente.

No entanto – e vocês sabiam que haveria um “porém”, não é mesmo? – no segundo nível de análise, um pouco mais profundo, o que vemos é simplesmente mais do mesmo. E não o “mais do mesmo” que Paul Verhoeven nos apresentou no primeiro O Vingador do Futuro. É um “mais do mesmo” bem genérico, rasteiro, pouco criativo em linhas gerais. Continua sendo excitante, mas uma excitação que desaparece poucas horas (se não em poucos minutos) depois que a projeção acaba.

No seu âmago, as lutas, dessa nova versão, são aquelas que cansamos de ver em filmes das franquias Bourne, Duro de Matar, Missão Impossível e incontáveis outras. A ótima perseguição automobilística não é muito diferente do que vimos em “Eu, Robô” ou mesmo em “Minority Report”.

É um esgotamento da fórmula que cansa e acaba impedindo que filmes como esse se destaquem diante da infinidade de outros parecidos, que são feitos em linhas de produção para consumo rápido e esquecimento mais rápido ainda.

Alguns provavelmente dirão que a cena final no elevador gravitacional é diferente de tudo que já vimos antes. Será que é mesmo? Até concordo que o elevador em si é uma boa ideia e que funciona bem para evitar que o filme tenha que se passar em Marte, como o primeiro. Mas a longuíssima cena de ação final, que tem o elevador como elemento principal, é telegrafada desde o começo do filme, quando aprendemos sobre cada uma de suas características e notamos que todas elas serão usadas ao final. Além disso, é tão genérica que a sensação de dejà vu é inevitável.

E mesmo em um terceiro nível de análise, o filme acaba falhando. Verhoeven nos passou um recado com O Vingador do Futuro dele. Len Wiseman não nos transmite absolutamente nada, a não ser uma sensação de apatia e entorpecimento. É a ação pela ação e nada mais. E não que exista algum problema com isso, mas a obra de Philip K. Dick pede mais do que duas horas de pancadaria sem nenhum tipo de aprendizado.

No final das contas, O Vingador do Futuro é um bom filme de ação genérico, que divertirá durante a projeção, mas desaparecerá de nossas memórias no caminho de volta para nossas casas.

Classificação: REGULAR

[youtube http://youtu.be/1bILkyfoYP0]

O Vingador do Futuro (Total Recall)

Sinopse: Um operário sofre um mal-sucedido implante de memória e passa a ser atormentado por lembranças. Refilmagem do longa de 1990, dirigido por Paul Verhoeven e estrelado por Arnold Schwarzenegger, baseado no conto de Philip K. Dick.
Direção: Len Wiseman
Elenco: Kate Beckinsale, Colin Farrell, Jessica Biel, Bill Nighy, Bryan Cranston, Ethan Hawke, John Cho, Bokeem Woodbine.
Gênero: Ficção-científica
Duração: 118 min.
Distribuidora: Sony Pictures
 
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