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Falando sobre “13º Distrito”

[vc_row][vc_column][vc_column_text]É difícil encontrar razões para investir uma hora e meia em 13° Distrito.

Uma delas, este é o último filme de Paul Walker e, apesar de não ser a melhor despedida para o ator que faleceu ano passado, dá um nó na garganta na homenagem póstuma mesmo em quem não é fã do seu trabalho (como eu), pois sim, ele está muito bem no filme e fica uma grande tristeza que sua vida e sua carreira tenham sido interrompidas tão cedo. Além disso, mesmo com grandes tropeços técnicos que abordarei ao longo do texto, esse remake tentar discutir a origem da criminalidade e como uma classe rica e dominante é capaz de resolver seus problemas (leia-se, os pobres), o que em uma produção tão irregular soa superficial, principalmente em uma história repleta de socos, perseguições, armas e mulheres – tema que, sem dúvida, será descartado minutos depois pelo público.

O grande problema é ser um remake de uma produção tão recente (o filme francês é de 2004) trazendo o mesmo roteirista e o mesmo ator, David Belle, dez anos mais velho fazendo o mesmo papel e repetindo as cenas de parkour. Luc Besson assina o “mesmo novo” roteiro que traz uma trama levemente adaptada para ser contada em Detroit em vez de Paris e conta com uma direção atrapalhada de Camille Delamarre.

A história se passa em uma Detroit corrupta e segregada, onde periferia e classes sociais mais altas são separadas por um muro. Do lado pobre, a organização criminosa liderada pelo traficante Tremaine Alexander (RZA) tem absoluto controle de quem entra e sai do distrito, pois controla também as propinas a policiais de alto escalão. Do outro lado, um prefeito sem escrúpulos pretende dar um fim àquela comunidade para dar lugar a um novo e luxuoso bairro para os ricos.

Por motivos mal desenvolvidos, Damien (Paul Walker) e Lino (David Belle) se unem em uma missão quase suicida para salvar a cidade da explosão de uma bomba em poder de Tremaine e para resgatar a namorada do segundo, sequestrada para atrair o personagem de Belle para prestar contas ao chefe do tráfico.

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Um dos criadores do parkour, Belle reinterpreta cenas idênticas com seus rápidos movimentos e que eram o grande atrativo do longa de 2004. Aqui, a maioria das cenas de ação também se sustenta na técnica, mas nem mesmo o parkour consegue salvar sequências muito mal dirigidas e absurdas, com inúmeros cortes e câmera lenta o tempo inteiro. Por exemplo, o momento em que Damien, pendurado do lado de fora de um carro em alta velocidade, consegue abrir o porta-malas com uma chave universal sob uma rajada de metralhadora, entra no carro, toma o controle do volante e rende o sujeito que o metralhava ao bater com o carro em um bloqueio de concreto. Ou a primeira fuga de Lino, que, mesmo perseguido, enfrenta adversários vindo de frente até mesmo quando… salta de um prédio ao outro.

A fotografia desastrosa de Christophe Collette se resume a copiar o que fora feito por Manuel Teran no original e ainda chega a apelar para uma iluminação forçada em alguns momentos, como na sala de reuniões de Tremaine (repare o uso do vermelho) e em sua cozinha improvisada do seu QG.

A mixagem do filme é ruim quando os diálogos são incluídos nas cenas de luta e o figurino peca na maneira sexista e estereotipada que veste as duas únicas mulheres do filme, explorando desnecessariamente o corpo das duas atrizes apenas para deleite de um público que busca perseguições de carros, pancadaria e armas de fogo. E por falar nisso, há uma regra em 13° Distrito: todo sujeito com uma arma de fogo na mão tende a ser lerdo e estúpido (não que isso não seja verdade na vida real). Por um lado isso ressalta a coreografia dos atores principais, mas também tira qualquer possibilidade de perigo quando enfrentam alguém armado.

Dispensável em todos os sentidos, fico pensando se este remake não teria o único propósito de promover o interessante parkour. Ainda assim, seria uma propaganda cara demais e teria funcionado melhor com outro roteiro original.

Se quiser ver um divertido filme com todos esses elementos, Banlieue 13 é uma opção muito melhor. E se quiser ver o carismático Paul Walker em rachas com carros potentes, não perca tempo com este 13° Distrito, fique com a franquia de Velozes e Furiosos mesmo.

13º Distrito (Brick Mansions)

Direção: Camille Delamarre
Elenco: Paul Walker, David Belle, RZA
Gênero: Ação
País: França / Canadá
Ano: 2013
Duração: 91 min
Classificação: 14 anos
Distribuição: California Filmes
 
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[vc_row][vc_column][vc_column_text]É difícil encontrar razões para investir uma hora e meia em 13° Distrito. Uma delas, este é o último filme de Paul Walker e, apesar de não ser a melhor despedida para o ator que faleceu ano passado, dá um nó na garganta na homenagem póstuma mesmo em quem não é fã do seu trabalho (como eu), pois sim, ele está muito bem no filme e fica uma grande tristeza que sua vida e sua carreira tenham sido interrompidas tão cedo. Além disso, mesmo com grandes tropeços técnicos que abordarei ao longo do texto, esse remake tentar discutir a origem…

Review Overview

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Sobre José Rodrigo Baldin

Escritor e Crítico Cinematográfico, membro da Associação Paulista de Críticos de Arte e da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.

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