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Falando sobre “Não Aceitamos Devoluções”

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Não Aceitamos Devoluções teria um enorme potencial se abandonasse a proposta inicial de ser uma comédia lúdica e se concentrasse toda sua trama na mensagem central que resume o arco dramático do protagonista: sua relação com seu pai, que tentou prepará-lo para viver, e sua relação com a bebê/criança Maggie, que o ensinou a viver sem ter tempo de se preparar.

É mesmo uma pena que o diretor mexicano Eugenio Derbez perca o equilíbrio ao apostar em piadas fracas e na repetição de situações absurdas para arrancar risos do espectador quando quer fazer comédia. E quando quer fazer drama, derrapa ao incluir uma trilha sonora piegas para emocionar nas inúmeras reviravoltas óbvias que o protagonista enfrenta, sobretudo no terceiro ato.

Mesmo irregular, não é por acaso que o longa de Derbez conquistou uma enorme bilheteria no México e nos EUA. O mérito é quase todo da estreante Loreto Peralta que vive a jovem Maggie com muito carisma e competência. Bilíngue, a garota rouba todas as cenas, especialmente quando serve de interprete para o pai (que não aprendeu inglês em seis anos nos EUA). Só pela interpretação de Loreta já vale ver o filme.

Com uma proposta interessante em muitos aspectos, Derbez também vive Valentin, um bon vivant em Acapulco que passa a vida se relacionando com várias turistas sem assumir qualquer tipo de compromisso até o dia em que uma amante do passado abandona sua filha Maggie de um ano para que crie. Com o objetivo de devolver a criança à mãe Julie (vivida por Jessica Lindsey), Valentin vai aos EUA onde começa a carreira de dublê e assume a vida de pai carinhoso por sete anos, quando então todos os seus grandes problemas começam.

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O roteiro é tolo no primeiro ato, muito eficiente no segundo e previsível no terceiro, mas ainda assim consegue causar um enorme impacto emocional no desfecho – e por isso afirmei que Derbez deveria ter abandonado qualquer tentativa de criar uma comédia.

Dos acertos dos roteiristas Guillermo Ríos e Letícia Lopez Margalli, destaco o uso das cartas à Maggie que cumprem o objetivo dentro da narrativa e também servem de homenagem a outros momentos do cinema. E mesmo que as inúmeras reviravoltas possam incomodar no terceiro ato, não posso deixar de pensar que estejam ali para preparar o espectador para os minutos finais, quando todas são minimizadas no corajoso e surpreendente final.

A direção de arte e a cinematografia fazem um bom trabalho ao criar cenários que correspondem à fantasia inventada por Valentin para criar Maggie longe da mãe e o contraste em ambientes mais frios e com cores pálidas (que não vou mencionar para não revelar detalhes importantes da trama).

O figurino também é eficiente quando veste pai e filha da mesma forma, especialmente porque optam por vestir o pai igual à filha e não o contrário, o que faz toda a diferença na construção dos dois personagens e que terá um acentuado contraponto quando Julie voltar para história já como uma promissora advogada de Nova York, vestida com um figurino sóbrio monocromático, totalmente diferente do mundo em que a filha vive e imaginou para a mãe.

O filme ainda cativa com pequenos detalhes, como a revelação de com quem Julie vive uma relação conjugal, o uso de lobos todas as vezes que Valentin sente medo e a aparição de um dublê de um ator bastante conhecido em um momento importante da trama. Com um saldo positivo, a produção é muito mais do que propõe, apresenta dramas reais com os quais podemos nos identificar com facilidade.

Como comédia, falha miseravelmente e pode incomodar o espectador que entra no cinema para ter uma experiência divertida. Mas se estiver consciente disso e quiser ver um drama de família que vai arrancar o choro em alguns momentos, esse é o filme certo.

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Review Overview

Direção
Roteiro
Cinematografia
Elenco
Direção de Arte

Bom

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Sobre José Rodrigo Baldin

Escritor e Crítico Cinematográfico, membro da Associação Paulista de Críticos de Arte e da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.

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