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Falando sobre “O Último Ato”


ultimo ato cartazÉ inevitável a comparação entre O Último Ato e o vencedor do Oscar Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância). Contemporâneos, os dois filmes discutem a relação entre vida e arte a partir de dois atores decadentes e debilitados em muitos sentidos. Apesar de todas as controvérsias, os protagonistas dos dois filmes buscam uma redenção e uma última chance no palco.

Comparação inevitável e cruel, infelizmente. O filme de Barry Levinson (que dirigiu um dos meus filmes favoritos, Sleepers) é mais uma dessas adaptações relâmpago de livros que parecem ser escritos com o único objetivo de ser adaptado, coisa que aponto com frequência por aqui. Não que seja um problema, como escritor me vejo diante disso o tempo todo, afinal, com um adaptação áudio-visual voltada para o consumo imediato de espectadores, a possibilidade do livro vender mais cresce exponencialmente. Mas sim, tanto livro quanto adaptação sofrem influências negativas das mídias diferentes e acabam expondo problemas na literatura e na cinematografia. E Birdman, já que comparei, é original.

Dito isso, pode se dizer que grande parte dos problemas de O Último Ato reside em seu roteiro, adaptado por Buck Henry a partir do livro homônimo de Philip Roth. Simon Axler (Al Pacino) é um ator de teatro que passa por uma reabilitação (seria spoiler dizer do que se trata) e enquanto tenta sair do fundo do poço passa a se relacionar com uma garota muito mais jovem do que ele (Greta Gerwig). Investindo em uma narrativa cheia de flashbacks e flashfowards, Henry mais falha no ritmo do que acerta no efeito que quer causar, afinal o ponto de vista reside no protagonista que passa por uma fase bastante confusa.ultimo ato al pacino

Note como isso não necessariamente um problema no posicionamento de câmera do diretor. Levinson consegue planos que acentuam muito bem o ponto de vista do protagonista. Como exemplo, vemos o protagonista “aprisionar” a garota atrás de um balaústre no andar de cima da casa com apenas a movimentação da câmera de Levinson. Outros momentos bem capturados pelo diretor, aliados a uma fotografia correta, mostram o protagonista mergulhado em sombras quando está sozinho e em ambientes bem iluminados quando está com alguém – ainda que seja na companhia do seu médico (Dylan Bakernas desnecessárias sequências em que trocam diálogos expositivos ali colocados para avançar a história.

O filme se sustenta mesmo porque tem Al Pacino como Simon Axler. Ele consegue espaço para uma boa interpretação. Consciente de que seu personagem atua mesmo quando não está no palco, Pacino desenvolve momentos em que podemos apreciar demais sua atuação nos detalhes da sua preparação de voz e sua expressão facial e corporal. Não podemos dizer o mesmo dos demais atores que entregam caricaturas mal dirigidas que empalidecem diante de Al Pacino.

Isso faz com que O Último Ato se pareça com o primo pobre de Birdman. Tenta soar profundo com citações a Shakespeare, tenta ser inovador com uma montagem arriscada (e proporcionalmente desastrosa) e consegue apenas ser um filme tão desequilibrado quanto seu protagonista.

É inevitável a comparação entre O Último Ato e o vencedor do Oscar Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância). Contemporâneos, os dois filmes discutem a relação entre vida e arte a partir de dois atores decadentes e debilitados em muitos sentidos. Apesar de todas as controvérsias, os protagonistas dos dois filmes buscam uma redenção e uma última chance no palco. Comparação inevitável e cruel, infelizmente. O filme de Barry Levinson (que dirigiu um dos meus filmes favoritos, Sleepers) é mais uma dessas adaptações relâmpago de livros que parecem ser escritos com o único objetivo de ser adaptado, coisa que aponto com frequência por aqui. Não que…

Avaliação Geral

Direção
Roteiro
Cinematografia
Elenco
Montagem

Regular

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Sobre José Rodrigo Baldin

Escritor e Crítico Cinematográfico, membro da Associação Paulista de Críticos de Arte e da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.

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