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Festival do Rio 2017 – Como foi o quarto dia desta edição?


Seguindo a maratona cinéfila do Festival do Rio 2017, confira as críticas para os filmes deste quarto dia da edição.

Meu Colégio Inteiro Afundando no Mar

Despretensioso desde o primeiro frame, esta estreia de Dash Shaw como diretor/roteirista mal consegue esconder seu baixo orçamento, ao apresentar um nível técnico tão modesto que por vezes aproxima-se do amador.

Porém, Shaw é hábil ao contornar estes problemas através de um roteiro sagaz e irreverente que aproveita elementos clássicos das comédias escolares para criar um coming of age repleto de um humor ácido e perfeitamente adequado às suas propostas.  E a coisa fica ainda melhor quando nomes como Jason Schwartzman, Lena Dunham, Maya Rudolph e até mesmo Susan Sarandon demonstram comprometimento e entrosamento com o espírito da produção, entregando performances espirituosas e enérgicas.

Abusando das cores fortes e fazendo graça com a violência e o absurdo, definitivamente não é uma animação mainstream, mas tampouco deve ter seu valor artístico desprezado.

NOTA 3/5 ✮

Berenice Procura

Com boas atuações de Cláudia Abreu e Eduardo Moscovis, Berenice Procura é uma crônica sobre a hipocrisia e a demagogia que tanto aparecem nos dias de hoje.

Usando o subtexto do assassinato de um travesti para discutir sobre intolerância, o filme se estrutura como um breve “Whodunit” (o famoso “quem é o assassino”?), mas sem as pretensões de remeter a um livro de Agatha Christie.

Extremamente simplista, a produção busca apenas a catarse, envolvendo o espectador nos conflitos dos personagens. Tecnicamente competente, o destaque da produção fica por conta da bela fotografia, que investe nas cores para pintar a noite de Copacabana como um ambiente quase lúdico e extremamente diversificado.

Encerrando a projeção com uma solução forte e seca, atinge exatamente o objetivo traçado ao início: catarse.

NOTA 4/5 ✮

Praça Paris

Poucos filmes desta edição do Festival do Rio tocaram tanto na ferida social do Brasil como este Praça Paris.

Estruturado na dicotomia estabelecida entre a paranóia de uma mulher Branca (Joana de Verona) e a Negra sem privilégios (Grace Passô), o longa de Lúcia Murat aborda a questão da criminalidade e suas ramificações com eficácia, gerando boas discussões até mesmo em passagens mais curtas (como a pregação ostensiva do pastor de rua ou a abordagem de um policial a um transeunte).

O maior mérito da projeção é construir de forma eficiente a aproximação cada vez maior de Gloria (Passô, excelente) e Camila (de Verona), cuja distância social parece ser determinante para uma transformação brusca no relacionamento entre estas.

É uma pena, portanto, constatar a falta de cuidado no desenvolvimento de Camila, uma psicóloga que aqui surge propensa a ataques de histeria. O tema também parece ter sido grande demais para o roteiro de Raphael Montes, que acaba engolido pela complexidade de sua temática espinhosa.

Nada que invalide o esforço de uma obra genuinamente brasileira e que não tem medo de expor as feridas sociais de uma cidade maltratada pela criminalidade, onde os cidadãos são os mais afetados.

NOTA 3,5/5 ✮

Aos Teus Olhos

Inicialmente oferecendo um debate social interessante sobre um professor de natação que, supostamente, assedia um de seus alunos, Aos Teus Olhos não demora a mergulhar sua trama numa violenta espiral de tudo aquilo que nos distancia da humanidade, revelando-se uma crônica poderosa sobre o discurso de ódio manifestado na internet e seu poder sobre o afetado.

Com atuações excepcionais (principalmente de Daniel Oliveira), o filme deixa de lado a investigação para focar-se na humanidade, ou a falta desta, ao discutir os limites (ou falta destes) no ambiente virtual.

Independente do veredicto, aqui (ou na vida real) o internauta não hesita em pré-julgar alguém, condenando sem ao menos receber provas, destilando veneno numa espécie de efeito rebanho capaz de destruir a reputação/vida de outro ser humano.

Certamente uma das melhores e mais fortes obras deste Festival do Rio.

NOTA 5/5 ✮

Sobre Guilherme Khandido

Crítico de Cinema e Carioca. Apaixonado pela Sétima Arte, mas também aprecia uma boa música, faz maratona de séries, devora livros, e acompanha futebol. Meryl Streep e Arroz são paixões à parte…

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