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Não Seja um Enlatado!

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É muito difícil se destacar por aí. Uma adolescente com mechas azuis e que usa óculos de aro grosso pode ser mais comum do que se imagina.

A eterna saga dos jovens pelo reconhecimento é a coisa mais comum que se pode existir. Mas creio – na humilde opinião de uma garota de 16 anos – que o “ser diferente” é uma coisa boa, mas que se tornou banal. Esse conceito vem da tentativa de não se deixar levar pela massa de pessoas que usam “uniforme” da Hollister.

tomato_soupSer comum é chato. Tentar ser diferente também. Afinal, não importa quem você seja, como se vista, do que goste… Sempre serão atribuídos rótulos. E essa é uma coisa da qual não suporto. Ser um enlatado rotulado e encaixotado é ter uma vida medíocre, sem ideias próprias. E ser diferente já te torna parte de tantos milhares que procuram o mesmo.

Não digo isso como se eu não fosse uma destas pessoas. Acredito que cada um possui seus próprios conceitos, mas a maioria se deixa influenciar muito facilmente com medo de ser rotulado. Como qualquer adolescente, tento me desgrudar da massa que rege o mundo, afogando-me em drogas como livros, esoterismo, música, teatro e arte.

Sei que sou um tanto jovem para falar, sobre qualquer coisa. Pouca experiência, pouca maturidade, pouco de tudo. Mas… um pouco de tudo, talvez eu saiba. Creio que não com maestria, mas com esforço sim, garanto.

Tento me informar sobre assuntos gerais, como os que revoltam tantos brasileiros ultimamente. Adoro assistir filmes interessantes e que levem consigo um “algo mais”. No momento, estou numa fase de filmes franceses (não me refiro apenas à Amélie Poulain, só para constar). Esta é uma fase (paixão) que parece não ter mais fim. Esses filmes estão refletindo em mim um amor quase incondicional pela pegada mais “indie” na música. Coisas como The Kooks, The Killers, Of Monsters And Men… Super recomendo.

Já passei, também, pela fase do violão e da guitarra. Tocava pouco. Nunca fiz curso. Era sempre aquela lenga-lenga de procurar as cifras na Internet e se frustrar durante uma semana até começar a tocar algo que lembrasse aquela música. Até aí, tudo bem… Hoje em dia tocar violão está na moda. Mas a minha angústia vinha do fato de não conseguir tocar e cantar ao mesmo tempo. Dizem que precisa-se de prática, mas preferi partir pra outra.

Além de tudo, gosto muito de desenhar e de atuar. Sou daquelas virginianas chatas e perfeccionistas que acham que nada está bom. Desenho, mas nunca o resultado me satisfaz. O mesmo acontece com o teatro. Não é só fazer teatro pra ir pra Globo, aparecer no Faustão e ser comentado nas revistas de fofoca. Tem que ter uma profundidade. Ou você se torna ator, ou estrela. Existe uma grande diferença. E mesmo você sabendo interiorizar e sentir o teatro, acho que nunca se chegará ao paradigma que é ser um ator de qualidade.

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Minha mãe é escritora e meu padrasto é professor de literatura. Desde sempre convivo com o cheiro de pó dos livros pela casa. E eu adoro. Na minha estante encontram-se livros de hinduísmo, budismo, mitologia, literatura extraordinária, quadrinhos geniais, como “Retalhos” do Craig Thompson, e, ainda, uma grande coleção de Tolkien (desde os livros do “Senhor do Anéis” e “O Hobbit” até os que explicam as lendas e histórias da Terra Média). Em meio a essa realidade literária na qual cresci, também surgiu o amor pela escrita. Gosto muito de escrever, mesmo não o fazendo por falta de tempo e inspiração. E, provavelmente, foi daí que surgiu o convite para eu estar escrevendo para vocês nesse momento.

Ao escolher o caminho dos filmes franceses e livros de literatura fantástica, correm-se certos riscos. Isso é um fato. Aturamos mais tarde nossa péssima habilidade de decisão. Entretanto, esta é uma escolha que nunca me arrependerei. Posso não ser a mais descolada e não possuir uma camiseta da Hollister, mas tenho mechas azuis e um livro do Patrik Süskind debaixo do braço. Estou bem assim. Fazendo as coisas que eu gosto e sendo rotulada de “nerd” e “hipster” pelos quatro cantos do mundo. Mas tudo bem. Também se rotulam os não enlatados. Na certa, sou um alimento não perecível.

 

Sobre Bianca Lana

Apaixonada por religiões, culturas e gente. Aos 17 anos, ainda não sabe se quer ser atriz ou artista plástica. Através da escrita, da música, da arte e do teatro, tenta dar algum sentido à sua juventude que parece apenas um atraso para as metas da vida.

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