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O Castelo de Vidro – Onde não existe só um ponto de vista


Já ouviu a frase “Quem conta um conto aumenta um ponto”? Pois bem, quase sempre exageramos ao contar uma história, seja ela nossa,o castelo de vidro cartaz vivida por nós ou até mesmo as histórias dos outros. O Castelo de Vidro é baseado em uma história real, vivida pela jornalista Jeannette Walls e que, com muita coragem, narra toda a sua vida em um livro.

O diretor Destin Daniel Cretton aborda a vida de Jeannette e sua família de uma maneira fantástica, em que você tem diversas leituras sobre a mesma atitude. Você não consegue ver apenas um ponto de vista.

Sabe um cubo, aquele que tem 6 lados? Então, um cubo você não consegue ver todos os lados simultaneamente. Dependendo da posição que você colocá-lo na sua frente, diante dos seus olhos, você só consegue visualizar apenas dois ou três lados e quando você começa a girar, para tentar ver os outros lados, aquele lado que você visualizou antes, sumira.

E é exatamente assim a minha vida, a sua e a de todos. As nossas histórias são como cubos, enquanto estou vendo de um lado, as pessoas veem do outro e nem sempre vemos da mesma maneira, pois são pontos de vista diferentes.

E esse longa metragem tem a mágica de nos mostrar várias leituras da mesma atitude.

Com isso, o filme ganha uma força logo no inicio. E o melhor de tudo é que essa força não é perdida, ela permanece até o fim. Você sente raiva, desprezo e compaixão, tudo ao mesmo tempo, turbilhões de sentimentos.

O castelo de vidro

A fotografia de Brett Pawlak é belíssima, a luz, as cores, a transição de um tempo para a outra são perfeitas, você entende todas as passagens de tempo.

O ritmo do longa é preciso, na medida certa dos momentos de dores, de felicidade e de muito amor.

As atuações são brilhantes, Cretton sabe dirigir os atores e faz com que a mise-en-scène te encante. O roteiro de Destin Daniel Cretton é preciso, você conhece cada personagem, as suas dores e as suas alegrias e isso é de tirar o chapéu.

Woody Harrelson (Rex) faz uma das suas melhores atuações – na minha opinião -, você consegue sentir a dor e toda a loucura que a personagem tem. Amei a atuação de Harrelson, no Planeta dos Macacos – A Guerra, mas em O Castelo de Vidro ele está fantástico. Naomi Watts está maravilhosa como Rose Mary, mãe de Jeannette.

Sinopse
A trama retrata a infância de Jeannette Walls, criada com os irmãos no seio de uma família louca, desequilibrada, sonhadora, mas muito pobre e nômade.

Para os fãs do livro “O Castelo de Vidro” e, também, para os que ainda não tiveram a oportunidade de ler esse best-seller, vá ao cinema ver esse longa-metragem, pois vale cada centavo do ingresso.

Sobre Rosana Moreira

Cineasta formada pela Academia Internacional de Cinema. Produtora desde 2008, dirigiu o curta metragem “4:23” em 2016, “Dissonantes” em 2017.
Fez assistência de direção no curta metragem “Olhos Vivos” direção de Kayo Perez (2016), Produziu o curta metragem “Sueli” direção de Christian Monassa (2016) e produziu o filme “W’arana” direção de Christian Monassa – rodado em 2017 na Amazônia.

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