Home / Saúde e Comportamento / Rafinha Bastos “abraça” estupradores

Rafinha Bastos “abraça” estupradores

[ATUALIZADO em 02/10/2011]

Rafinha Bastos não estará na bancada do CQC na noite desta 2ª feira – e nem nas próximas semanas. Informação da @monicabergamo divulgada agora pela Folha.com. A emissora ainda estuda se vai mantê-lo no ar após a repercussão negativa de mais uma piada considerada de mau gosto – feita na semana passada sobre a gravidez de Wanessa Camargo – “Eu comeria ela e o bebê”, afirmou Rafinha. A decisão foi tomada agora há pouco pela cúpula da emissora – que está na França para participar da Mipcom, feira de audiovisual que abre amanhã em Cannes.

fonte * Blue Bus em 02/10

[ATUALIZADO em 26/09/2011]

As piadas feitas por Rafinha Bastos sobre estupro não foram bem-vistas nem dentro do “CQC”. Quem viu uma prévia do programa de Marília Gabriela (“De Frente com Gabi”, no SBT exibido em 25/09/2011) com Marcelo Tas pode constatar isso. Perguntado sobre o tema, Tas, sem fugir da resposta, não escondeu a sua insatisfação.

A piada do Rafinha [sobre mulheres feias] eu não acho nenhuma graça. Ele foi infeliz, não precisava disso. A piada do Danilo sobre judeus foi engraçada”, comentou.

Lembrando, também, que a declaração foi parar no Ministério Público e o humorista teve de prestar depoimento na delegacia.

 

 

Entro no Twitter e me deparo com um link para a entrevista que a Rolling Stone fez com Rafinha Bastos – aquele cara de stand-up que o público brasileiro ama de paixão – e abro a página, já que no tweet alguém colocou aspas numa declaração que me deixou chocada. Lendo a entrevista, escrita por algum jornalista que notoriamente foi parcial (e com razão), fiquei decepcionada ao constatar que um cara de popularidade tão acentuada quanto esse comediante não tem noção do aspecto social que deve cumprir uma vez que tem um público tão amplo e tão jovem.

A pessoa que fez a entrevista com Bastos fora convidada a assistir a uma de suas apresentações. O show corria bem, com piadas sórdidas e preconceituosas, quando Rafinha soltou, “Só vejo mulher feia reclamar de ser estuprada… Elas não têm do que reclamar, deveriam encarar isso como uma oportunidade… O cara que estupra não merece ser preso, merece um abraço”. Segundo o relato do jornalista, o público recolheu suas risadas e pairou no ar um clima bem chato, o repórter pôde ouvir uma mulher cochichar, “Que horror”, ao seu lado.

Após o show, Bastos e o jornalista teriam se dirigido a outro local para realizar a entrevista. Parece que o comediante havia ficado realmente incomodado pelo público não ter correspondido da maneira como esperava. Tentara se justificar, dizendo que é um cara polêmico e admitindo ser preconceituoso, acha que gordo é gordo por preguiça, que não faz piada para agradar todo mundo, que era da turma da bagunça no colégio e zoava quem dava “brecha”, que se acha fodão, assim como era seu pai e acrescentou que a piada do estupro costuma funcionar. Então, convidara o entrevistador para a próxima apresentação que iria fazer e repetira a piada. Daquela vez, para alívio de Bastos, todos tinham rido como se não houvesse amanhã. Na saída, cumprimentando o repórter, dissera, “Viu como a piada do estupro funciona?”, e tristemente foi comprovada a razão do comediante.

Não vou questionar os valores do Rafinha Bastos. Cada um tem seus próprios preconceitos. Ninguém está salvo de ser babaca. E também não estou aqui para dizer que ele deve parar de fazer suas piadas sobre gente obesa, órfãos, cadeirantes e outros. Todos têm direito de se sentirem tão ofendidos com as palavras dele quanto ele de ganhar dinheiro com humor negro – afinal, o público dele não é constituído só por homens, ricos, brancos, esbeltos, lindos, perfeitos e que só conhecem pessoas deste mesmo padrão, não é verdade? Consumidor sustenta o mercado e será assim sempre. Mas ainda acho que roubar dinheiro público ou ganhá-lo através da exploração da fé de pessoas humildes ainda é comparável ao lucro que alguns obtêm pregando a ignorância e cegueira social. O que eu quero questionar é a falta de consciência de um cidadão feito o Bastos. Ele, que muitas vezes aparece na mídia defendendo causas bacanas como a do #foraSarney, acrescentando que usa de sua popularidade para fortalecer a idéia, solta uma “piada” dessas com claro teor de apologia a um crime horrendo feito o estupro, mas nesse momento se esquece da forte influência que exerce sobre seus adoradores.

É claro que, neste caso, ninguém vai formar o “clã Rafinha Bastos” para sair na rua procurando mulheres “feias” para estuprar (coisa que vemos acontecendo com gente se juntando para bater em homossexuais, mas isso já é outro assunto), contudo, como é “a situação que cria o algoz”, um cara que vai praticar qualquer ato (ilícito ou lícito), em determinada ocasião, puxa de seu subconsciente todos os motivos que o justificam ou não. Assim, o cara nunca vai admitir que estuprou alguém porque teve aval do Rafinha Bastos, porque não é bem isso mesmo, mas a consciência o permite quando acredita que uma “piada” dessas faz sentido. Preconceito social é que cria indivíduo preconceituoso, como naquele caso em que alguns seres incendiaram um índio pensando que era um mendigo. Eles fizeram isso porque foram os criadores do preconceito contra moradores de rua? Pois é… Ninguém é tão criativo, muito menos os preconceituosos desse nível. Espero que essa sequência de analogias tenha sido inteligível e não confusa.

Na própria entrevista, Bastos revela um fato marcante sobre seu pai, que também fazia graças como o filho, e conta que, quando criança, fora ao zoológico onde havia cangurus que permaneciam imóveis. Ao questioná-lo do motivo que levava os animais a ficarem parados, ele respondeu ao filho que “era porque os cangurus só pulavam na Austrália”. Rafinha, que idolatrava o pai, disse que acreditou nisso até os vinte e poucos anos.

Então, me pergunto, quantos jovens que idolatram Rafinha Bastos vão acreditar em muitas coisas que o comediante diz até alta idade como verdades absolutas? E até fazer besteiras por causa disso? Sim, repudio o estupro e estou condoída com todas as vítimas, familiares e amigos pela “piada” infame de Bastos. Incitação ao crime não deve ser encarada como humor.

Às vezes, acho que a consciência tirou férias do planeta Terra.

Lista de Posts recentes:

[PTP]posts[/PTP]

Sobre NandaThiemi

Veja também:

Líder em cosméticos naturais, orgânicos e veganos estará na 11ª Beauty Fair

Entre os dias 05 e 08 de setembro a Surya Brasil estará presente na 11ª …