Há mais de 30 anos quando estreou nos cinemas, Star Wars tornou-se um clássico da cultura pop por apresentar ao mundo a famosa saga dos Skywalker, fazendo de seu vilão, Darth Vader, não só um ícone, mas um dos maiores personagens da história do Cinema. Rogue OnePorém, aquele mesmo filme também apresentava a Aliança Rebelde, cujos membros lutavam para desabilitar uma colossal arma de destruição em massa que estava prestes a ser usada pelo Império. Os planos necessários para esse feito, entretanto, estavam em posse de Leia, mas mesmo depois de seis filmes, nunca ficamos sabendo como a princesa teve acesso a eles. Com Rogue One: Uma História Star Wars, esse mistério finalmente é solucionado. E muito bem solucionado, diga-se de passagem.

Iniciando a projeção sem utilizar o famoso letreiro amarelo que se tornou marca registrada da série criada por George Lucas (uma decisão que foi tomada para diferenciar este filme dos episódios estrelados por Luke e cia.), Rogue One nos coloca dentro de um universo dominado pelas forças imperiais, que usam a repressão como forma de “instaurar a paz”, como diz Orson Krennic, o vilão interpretado pelo australiano Ben Mendelsohn.

Logo depois de escancarar a personalidade maligna de Krennic (num prólogo que se entrega de corpo e alma ao clichê), o filme nos apresenta à Jyn Erso (Felicity Jones, de A Teoria de Tudo e Inferno), uma jovem que apesar de inicialmente Rogue Onenão ligar para a atual situação política que vive (ela prefere ignorar), passa a lutar ao lado dos rebeldes após sentir na pela as atrocidades cometidas pelos imperiais.

O maior mérito do diretor Gareth Edwards é trazer para Rogue One o mesmo espírito dos primeiros filmes da série. Sendo assim, esta nova aventura possui o DNA de Star Wars mesmo não contando com boa parte dos mais famosos personagens. Sim, aqui e ali surgem referências e alguns coadjuvantes clássicos também marcam presença (preste atenção), mas a verdade é que Edwards conseguiu fazer um filme inteiramente novo soar como Guerra nas Estrelas.

Os roteiristas também merecem elogios, pois Chris Weitz (A Bússola de Ouro) e Tony Gilroy (Conduta de Risco) constroem uma narrativa que, além de preservar a estrutura e os elementos clássicos, também é povoada por personagens interessantes. Nesse caso, vale ressaltar a complexidade que envolve algumas decisões tomadas por determinados personagens, como em duas cenas envolvendo o Capitão Andor (Diego Luna).

Vivendo Jyn Erso no limite entre a passividade e a inexpressividade, Felicity Jones não funciona tão bem como deveria, oferecendo uma performance que vai apenas um pouco além do piloto automático. Por sorte, o elenco conta com os talentosos Riz Ahmed (de Jason Bourne) e Diego Luna (Elysium), que oferecem atuações carismáticas e que exploram bem o potencial de seus personagens. E se Donnie Yen (da série Ip Man) encarna com perfeição o lado místico de seu Chirrut (protagonizando também ótimas seqüências de ação), é Alan Tudyk (Maze Runner: Prova de Fogo) quem acaba roubando a cena ao interpretar o robô K-2SO  com um misto de irreverência e personalidade forte. Já os esforços do ótimo Ben Mendelsohn são sabotados pelas frágeis motivações de seu Rogue Onepersonagem, talvez o ponto mais fraco de Rogue One. Isso para não mencionar que seu Krennic vive à sombra de um certo Darth Vader…

E por falar em Vader, assim que o projeto foi anunciado, era mais do que óbvio que os realizadores encontrariam espaço para mostrá-lo. E não podemos culpá-los, pois afinal, quem não gostaria de poder trabalhar com um dos maiores vilões do Cinema? E, a produção não hesita em reverenciá-lo, dando-lhe inclusive uma entrada triunfal cuja sombra gigantesca parece engolir determinado personagem (um plano repleto de significados, diga-se). Porém, a Disney não queimaria seu trunfo tão rapidamente e, sem querer estragar surpresas, apenas direi que há uma cena à altura do lendário Darth Vader. Uma cena que arrepiará qualquer fã e deixará boquiaberto qualquer um que ainda desconheça a dimensão deste formidável vilão.

Contando também com ótimos efeitos visuais, Rogue One segue a tradição da saga de apresentar uma infinidade de criaturas, mostrando o poder da maquiagem Hollywoodiana, ao mesmo tempo em que não exagera na utilização da computação gráfica. Fotografado com capricho por Greig Fraser (Foxcatcher), Rogue One também proporciona um deleite visual, ao exibir deslumbrantes locações como a praia que serve de cenário para o terceiro ato. Utilizando os temas clássicos com parcimônia, o brilhante compositor Michael Giacchino, assim como o cineasta J.J. Abrahams, é mais um que poderá contar para suas futuras gerações que trabalhou nas duas maiores franquias de ficção científica de todos os tempos (Star Trek e Star Wars).

Sem jamais deixar de ser divertido, Rogue One: Uma História Star Wars não é aquele caça-níquel que aparentava. Longe disso, é a constatação de que o universo concebido por George Lucas pode crescer ainda mais, tratando com reverência seus icônicos personagens e respeitando o elemento mais importante dessa história: o público.

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Crítico de Cinema e Carioca. Apaixonado pela Sétima Arte, mas também aprecia uma boa música, faz maratona de séries, devora livros, e acompanha futebol. Meryl Streep e Arroz são paixões à parte...

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