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Season Premiere Game of Thrones: The Wars to Come

Quando li os cincos livros de GRRM, pensei que poderia considerar ali duas histórias bem definidas e com arcos dramáticos completos e encerrados. A primeira história é contada em uma trilogia composta por A Guerra dos Tronos, A Fúria de Reis e A Tormenta de Espadas. Desde o misterioso assassinato de Jon Arryn até a posse de Tommen Baratheon. Desde o casamento de Dany com Khal Drogo até a posse da khaleesi como uma rainha libertadora em Essos. Essas são duas tramas políticas mais importantes que se encerram, respectivamente, com o fim da Guerra dos Cinco Reis e a aparente decisão de Daenerys de assumir sua condição em Meereen e abdicar a disputa pelo Trono de Ferro. Durante esse processo, vimos a destruição de algumas casas (Stark, Tully, Arryn e Baratheon) e a ascensão de outras (Tyrrell, Bolton e Frey), o que muda sensivelmente todo jogo de poder em Westeros.

O que nos leva a outra história. Os livros O Festim de Corvos e A Dança dos Dragões trazem novos arcos, exploram ainda mais o universo concebido por GRRM através dos pontos de vistas dos personagens principais que sobreviveram à carnificina promovida pela disputa de poder e ainda incluí dezenas de personagens em locações pouco exploradas até então, como Dorne, as Ilhas de Ferro e Braavos.

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É isso que vamos ver nas próximas temporadas de Game of Thrones, começando agora na quinta. Inevitavelmente, esta temporada narrará acontecimentos dos dois últimos livros de GRRM e, a julgar pelo casting desse ano, as Ilhas de Ferro ficarão pra sexta temporada. As casas mais exploradas devem ser mesmo a Tyrrell e Martell. Uma pena. Não vejo a hora de ver os Greyjoy em ação.

Assim, o primeiro episódio começa com um simbólico plano detalhe de uma jovem Cersei pisando em lama, o que remete diretamente ao cenário político que, agora sozinha, enfrentará em Porto Real. A cena inteira ajuda a construir toda a paranoia que há tempos é característica da personagem além de antecipar um possível confronto mais intenso com Margaery Tyrrell. Começa muito bem.

Como é o estilo de escrever de Benioff e Weiss, criadores da adaptação, o roteiro deste primeiro episódio traz uma série de rimas temáticas e visuais que ajudam demais a narrativa que aborda vários núcleos paralelos sem se concentrar em um protagonista na história toda. Treinamentos de esgrima na Muralha e no Vale e compaixão de garotos e garotas de programa em Meereen e Porto Real são dois exemplos de rimas recorrentes nos roteiros de D&D. Aqui ainda encontramos uma interessante solução para incluir Dorne e sua geografia na cabeça do espectador, já que será apresentada no próximo episódio. Como é de se esperar em um retorno, muitos diálogos expositivos são explorados para situar os personagens na temporada, que como disse no início, estão em outra história, com outras alianças e com alguns inesperados encontro entre núcleos narrativos.

Vale dizer que alguns velhos conhecidos são agora praticamente novos personagens. Claro que são mantidas suas características, mas tanto o passado quanto o futuro não importam mais, como diz Tyrion. O bom trabalho da direção de arte acentua as mudanças drásticas. Tyrion, Varys, Baelish, Sansa e Cersei (dos principais) são os que sofreram as maiores mudanças de figurino e maquiagem, o que promete muito sobre o futuro de todos eles.

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Michael Slovis, brilhante diretor de fotografia de Breaking Bad, dirige o episódio The Wars to Come e se sai bem na maior parte do tempo. É coeso, mas não arrisca nada novo. Traz novamente um plano de Jon Snow atrás das chamas (já vimos isso quando o bastardo encontra Melisandre pela primeira vez e agora do ponto de vista de Mance) e se isso se tornar recorrente pode ser uma maneira de indicar que ele é Azor Ahai. O diretor não se sai bem na sequência do velório de Tywin. Está tudo muito bem construído, a fotografia prepara um plano sequência para Cersei, mas a mise-en-scène acaba constrangedora – boa parte desse fracasso se dá porque Lancel Lannister é desde sempre mal interpretado. E lá está ele de volta. Slovis não consegue dirigir o rapaz. O que é perdoável. Ninguém nunca conseguiu em quatro anos.

Sobre as demais interpretações, cedo para dizer. Por enquanto, todo mundo na mesma sintonia das temporadas anteriores. Só faltou… punch. A Arya fez falta. Acho que foi isso.

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Sobre José Rodrigo Baldin

Escritor e Crítico Cinematográfico, membro da Associação Paulista de Críticos de Arte e da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.

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