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Soltando Farpas nos “Testes de RH”

Há tempos venho tentando escrever sobre minhas experiências traumáticas com os testes de RH (Recursos Humanos). Foi um longo caminho até conseguir entender como lidar com eles – e até hoje ainda não me saio bem.

A verdade é que eu sempre preferi aquele tipo de entrevista de trabalho onde você bate um papo com o responsável pela contratação e, se necessário, faz algum teste específico (não que eu me saia melhor nesses, mas pelo menos acho um meio de avaliação menos complexo e estranho).

soltando farpasMas não!

Os contratantes fazem testes sem noção que eu nunca entendi para que servem.

Por exemplo, uma vez fiz um teste para uma grande empresa. A moça do RH pediu para que eu desenhasse uma casinha. A princípio, fiz uma casinha muito simples: uma porta, duas janelas e uma chaminé (porque, pra mim, casinha precisa de chaminé).

Até aí tudo bem.

Acontece que a dita cuja me esqueceu na sala vazia por uma hora e meia. E eu, sem nada mais interessante para fazer, comecei a incluir alguns detalhes no meu desenho. Fiz um jardim com borboletas, passarinhos, um coelho, casinha de cachorro, textura nas paredes e um parquinho. Quando ela voltou e olhou para a minha obra de arte, fez uma cara de assustada – que me assustou também – e disse:

“NOSSA. Você é uma pessoa muito complexa”. E balançou a cabeça negativamente.

Não sei o que ela quis dizer com isso, mas minha sensação foi a de que eu era um caso perdido neste mundo e que Freud teria medo de me estudar. Tudo isso por causa de uma casinha – que ficou linda, por sinal.

Além dos testes com desenhos, há também aquela perguntinha marota que sempre me pega:

“Quais são os seus três maiores defeitos?”.

Da primeira vez que me perguntaram isso fui sincera, enquanto uma menina que concorria à mesma vaga respondeu que era perfeccionista, persistente e exigente.teste

Ela foi contratada e, mais tarde, casos semelhantes ocorreram, com novas perguntas. “Se você pudesse ser um bicho, que bicho você seria?”. Meu avô sempre disse que queria ser um urubu, porque ele voa bonito, não tem muitos predadores e come carne mal passada. Mas se ele respondesse isso em algum desses testes, teria passado a vida desempregado, desistido de ter filhos e eu provavelmente não teria nascido.

Descobri que as frases feitas funcionam muito mais do que aquilo que você realmente é. O negócio é ser um leão, um gavião, um leopardo!

Daí eu me pergunto: é isso que as empresas querem? Então tá!

Agora eu também digo que sou perfeccionista, persistente e exigente, quando na verdade sou bagunceira, desatenta e insegura. É isso o que eu sou. E, agora, mentirosa também – ser sincera não me ajudou em nada, acreditem.

Bom, pensando bem, talvez eu seja mesmo muito complexa…

 

Sobre Patricia Ferrari

Azarada por natureza, viciada em café e desenhos animados. Adora reclamar, especialmente do transporte público paulistano.

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