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“The Dead Walkers” – O episódio 11 de Game of Thrones

Tyrion… você e eu somos SPOILERS

(Varys, o Dragão)

Vanessa Taylor é a pior roteirista que a série já teve em quatro anos e duvido encontrar alguém que consiga reunir argumentos para rebater essa afirmação. Apesar de evitar expectativas, não há como não esperar o pior quando vejo a filha do regular diretor Alan Taylor por trás do episódio. Dessa vez, felizmente, é uma grata surpresa o que os dois  fizeram com o excelente episódio The Dead Walkers.

Mergulhando o espectador exatamente no mesmo ponto em que termina o décimo episódio, vemos mais uma vez a coragem de GRRM como autor e seu desapego com os personagens. Com planos (muito) abertos para mostrar a tempestade se formando no caminho do navio de Arya Stark (note o cuidado de incluir as nuvens já na abertura da série), Taylor pai cria a tensão necessária para que o impacto da morte da menina Stark, que sobrevivera a tudo até agora, e que tem uma morte lenta de afogamento. Mais do que isso, Taylor mostra segurança ao dar um close na menina da mesma forma que Alex Graves fizera com Joffrey, um rima visual mórbida digna de Game of Thrones.

Essa tensão criada pela tempestade é ainda mais eficiente quando há a transição da cena de Arya para de Tyrion. A escuridão que a garota experimenta ao final de sua vida serve de raccord para a caixa onde o anão viaja no mesmo mar violento. Apenas percebemos que houve a transição das cenas quando o olho de Tyrion é revelado pela luz dos relâmpagos que anunciam a mesma tempestade que matara Arya e assim passamos a temer pela sua vida, assim como pela vida de Varys. Destaque para a edição de som que traz os trovões igualmente ameaçadores nas duas sequências. Em mais uma atuação impecável de Dinklage, somos esmagados pela sua tocante interpretação, especialmente quando entrega as lágrimas que começam junto com a chuva (Castamere?) ao ouvir que é um Targaryen, filho de Aerys II (e legitimado momentos antes de Jaime matar o rei). Apesar do exagero de praticamente colocar a tempestade como se fosse o choro do anão, toda a sequência é eficiente quando ele diz, antes de morrer, “Jaime matou meu pai e eu matei o dele” e assim se despede da série segurando a mão de Varys, que lhe contou sobre o passado e o motivo de ajudá-lo até então.

Com recursos digitais impecáveis, o degelo da Muralha causado pela presença de R’hllor e Melisandre é impressionante. Além de causar mais mortes por afogamento (não sobra ninguém em Castelo Negro) ainda nos primeiros trinta minutos de episódio, descobrimos o motivo dos White Walkers terem aparecido no começo da série e que rapidamente se movimentam em direção ao sul para congelar toda aquela água que inunda o norte de Westeros e o Vale, fazendo desmoronar o Ninho da Águia.

Como nem tudo é perfeito, o único plano em Essos que mostra Dany cair do dorso de Drogon (e morrer) na sua primeira tentativa de montá-lo mostra o quanto a Mysha era de fato insignificante para a história. Acredito que este plano foi incluído somente pra que ninguém perguntasse sobre a personagem de Emilia depois do final da série.

Outro ponto forte do episódio é a maquiagem empregada nos personagens em Porto Real na transformação de todo elenco da capital. Revelando o segredo de Qyburn (que utiliza um vírus zumbi para sua necromancia), Alan Taylor acerta ao mostrar primeiro a ressurreição de Gregor Clegane (cena já plantada no episódio anterior) para depois trazer Tywin e Oberyn de volta em versão zumbi e só então espalhar o vírus pelos ares – o que formará o exército liderado pelo patriarca Lannister na batalha final entre Dead Walkers e White Walkers (liderados por Bran, se notarmos o detalhe dos olhos brancos de Hodor a frente do exército). O diretor, seguro, conduz a batalha a sério, mas ainda assim se permite a uma gag com Oberyn que, sem os olhos, caminha na direção contrária do seu exército e é o único zumbi que se salva do massacre – para deleite dos fãs de Pedro Pascal.

Encerrando a série com Hodor/Bran sentado no Trono de Ferro, D&D conseguem fechar a história de forma memorável e surpreendente, com quase todos mortos, mas com Ned vingado pelo filho. Vai deixar saudade. Quem sabe não teremos um spin off dos povos nas Ilhas de Ferro e de Dorne, ou quem sabe até uma Copa do Mundo em Sothoryos, onde tudo parece viver em paz e sem nenhum desses problemas políticos chatos que dominam o mundo civilizado.

Obs.: espere os créditos finais do episódio. Há uma cena adicional envolvendo Osha e Rickon que fará alguns padres pirarem.

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Esse texto é uma brincadeira.

O episódio final da quarta temporada de Game of Thrones é o de número 10.

Veja as análises, de todos os episódios desta quarta temporada, nos links abaixo:

* O texto é de autoria de José Rodrigo Baldin e pode ser encontrado em seu blog pessoal

 

Sobre José Rodrigo Baldin

Escritor e Crítico Cinematográfico, membro da Associação Paulista de Críticos de Arte e da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.

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