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Um pouquinho da Grécia nos palcos brasileiros


Quando anunciaram que Mamma Mia seria montado no Brasil eu tive um certo receio, tanto do elenco (medo de colocarem uma global para fazer a Donna) quanto das versões que seriam feitas das já tão conhecidas músicas do ABBA.  No entanto meus medos foram infundados, tanto em relação à escalação do elenco (nenhum famosinho de televisão) quanto à qualidade das versões de Claudio Botelho, que em algumas partes do musical se encaixaram muito melhor na história do que os originais em inglês.

O musical conta a história de Sophie, uma moça de 20 anos que está prestes a se casar e quer encontrar seu pai. Então ela descobre que sua mãe teve três namorados e que ela pode ser filha de qualquer um deles. Para tirar a prova ela convida seus três possíveis pais para o casamento, o que deixa sua mãe Donna quase louca. Rendendo uma história divertida e ao mesmo tempo emocionante, pois traz à tona um amor abafado por mais de 20 anos.

Eu tive a oportunidade de assistir o musical por três vezes e pasmem, cada vez com uma Donna diferente, isto acontece porque todos os atores tem substitutos e a nossa Donna tinha duas subs à época da estréia do musical.

Na primeira apresentação que vi saí um pouco decepcionada do teatro, pois o som não estava legal (a orquestra se sobrepunha à voz dos atores e era impossível ouvir a letra das músicas) e principalmente por perceber que alguns dos atores que eu tanto admiro ainda não tinham encontrado bem o tom do personagem, dando a impressão de que algumas coisas ainda não tinham se encaixado. Eu sabia que aquilo tudo poderia ficar muito melhor.

Um mês depois voltei ao Teatro Abril para mais uma de minhas loucuras teatrais, uma sessão dupla, pois na sessão da tarde Paula Capovilla faria a Donna pela última vez antes de se transformar em Evita e na sessão da noite finalmente eu veria a peça com Kiara Sasso (nossa Donna oficial).

Qual não foi a minha surpresa na primeira sessão do dia quando percebi que o problema do som fora sanado e estava excelente como sempre (tive que parabenizar o maestro nesse momento, ele é excelente) e que todos os meus queridos atores tinham se encontrado nos papéis, parecia que eu estava assistindo a outro musical, estava perfeito.

Mas foi na sessão da noite que tudo se completou, Kiara Sasso conseguiu se superar como Donna, transpôs a dificuldade de parecer muito jovem para o papel impondo uma emoção ímpar ao personagem e dando toques de humor na medida certa. Levou o público à loucura com seu “E tudo ao vencedor”, nossa versão de “The Winner takes it all” sendo praticamente interrompida com aplausos de admiração. Foi sem dúvida alguma a melhor escolha para a personagem.

Os três pais são um caso à parte, cada um a seu modo, encantam a platéia. Eu tenho uma quedinha maior pelo Sam e pelo Harry, pois são feitos pelos meus queridos Saulo Vasconcelos e Baccic que, além de excelentes profissionais, são pessoas maravilhosas. Mas o Bill do Arruza é impagável com seu jeitinho de Indiana Jones. Destaco aqui o solo de Saulo Vasconcelos em “Bom pra mim, Bom pra você”, que é uma das minhas músicas preferidas e ficou linda na voz dele.

E já que falamos da mãe e dos pais, é hora de falar da filha. Sophie, a noiva do musical, é interpretada por Pati Amoroso, relativamente nova no mundo dos musicais. Não posso dizer que ela me surpreendeu no papel, mas ela dá conta do recado e acho que melhorou bastante desde a estréia.

A grande surpresa a meu ver ficou à cargo das duas amigas de Donna, Rosie e Tanya, divinamente interpretadas por Andrezza Massey e Rachel Ripani. Essas duas simplesmente roubam a cena sempre que aparecem. São as responsáveis por dar ao musical uma pitada de humor sem cair no caricato. Amei essas duas em cena. Dei muitas risadas.

Após o final do espetáculo todo o elenco apresenta um Pocket Show com músicas do ABBA na versão original. É sem dúvida a hora mais deliciosa do espetáculo, pois é o momento em que nós expectadores podemos levantar, pular, cantar e se esbaldar junto com o elenco sem medo de ser feliz.


O ponto negativo deste musical, e de todos que são montados pela T4F, é sem dúvida o preço exorbitante dos ingressos, o que acaba inviabilizando uma maior popularização do gênero em nosso país. Mas aqueles que puderem não devem perder a oportunidade de viajar para a Grécia na companhia de todo o elenco de Mamma Mia, pois o musical está imperdível.

Mamma Mia está em cartaz no Teatro Abril e permanece até o final de 2011.

 

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