Segunda-feira , 24 Novembro 2014
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Um papo com Marcos Eduardo Neves, escritor de “Nunca houve um homem como Heleno”

Marcos Eduardo Neves, jornalista carioca e escritor, passou por importantes redações cariocas, como as do Jornal do Brasil e Jornal dos Sports e editou 15 revistas e uma enciclopédia esportiva para o jornal LANCE!. Curador do Museu Flamengo, foi consultor e colaborador de roteiro do filme “Heleno”, de José Henrique Fonseca.

Ele foi mais uma amizade que se iniciou no Congresso Brasileiro de Escritores, em novembro do ano passado. Posso dizer que Marcos, com seu livro Heleno, conseguiu me fazer mudar de ideia sobre dois assuntos: futebol e biografias. A história de Heleno me prendeu até o fim, pois além de me apresentar o personagem, me colocou dentro do clima da época, me posicionou quanto a fatos históricos que corriam paralelos à história principal, tornando o livro muito mais do que a história de um jogador de futebol. Posso garantir, nunca houve mesmo um homem como Heleno!

Vamos então a entrevista que fiz com Marcos, aproveitando o nosso período de Bienal em Sampa!

Paulo Emilio, Marcos Eduardo Neves e Ana Claudia Marques

Marcos, você já tem quatro livros publicados: “Anjo ou Demônio: a polêmica trajetória de Renato Gaúcho”, “O maquinista: Francisco Horta e sua inesquecível máquina tricolor”, “Vendedor de Sonhos: a vida e a obra de Roberto Medina.” Lançou, este ano “Nunca houve um homem como Heleno”. Posso perguntar, por que a preferência por biografias? Isto tem relação com tua profissão de jornalista?

Além destes quatro, tenho mais um, chamado “Servenco sobrenome Steinberg”, que narra a carreira empresarial de dois empresários que levantaram uma construtora carioca que fez história entre os anos 40 e 2000. Minha predileção por biografias tem menos a ver com minha profissão de jornalista e mais pelo fato de eu gostar de gente e fatos. Meus livros trazem histórias interessantes com pitadas de História propriamente dita. Adoro trabalhar assim.

Tenho acompanhado você desde que nos conhecemos no Congresso, e você tem sido bastante reconhecido, premiado e homenageado com teu trabalho literário, que não se limita a biografias… Nos conte um pouco sobre quando descobriu sua vocação, e como você começou a escrever.

Não sou eu quem tem sido homenageado ou premiado. São minhas obras. O bom do escritor é que ele morre, como qualquer ser humano, mas suas obras ficam. Vai ver em que ano morreu o Miguel de Cervantes. Mas o Dom Quixote permanece.

Quanto a me descobrir como “operário das palavras”, isto, que eu lembre, vem da sétima série do primeiro grau (hoje, oitavo ano). Sempre sofria para passar de ano em várias matérias, menos em português e redação. Depois, cursei por um tempo Psicologia, mas sonhando escrever sobre comportamento humano num jornal carioca. Em seguida, aos 23 anos, ganhei a biografia do Nelson Rodrigues escrita pelo Ruy Castro, e ela mudou minha vida. Decidi que era aquilo que eu queria passar a fazer. E assim foi. Aos 27 anos, ainda estagiário de Jornalismo, lancei um livro de mais de 400 páginas que teve bom reconhecimento no meio esportivo, a biografia do Renato.

Marcos, quando te conheci no Congresso, você estava no processo de lançamento do livro “Nunca Houve um Homem Como Heleno”, e nos contou do encadeamento do lançamento do livro e do filme.  Qual a diferença entre esse último lançamento e o dos outros livros, em termos de facilidades e dificuldades de divulgação?

Lançar o primeiro livro é sempre mais difícil. Você não tem currículo como escritor, nenhuma editora se interessa, é preciso muita persistência. Agradeço muito à editora Gryphus por ter me lançado em 2002, com a biografia do Renato Gaúcho. O livro não obteve sucesso de vendas, mas teve reconhecimento de público. Assim, o Roberto Medina, mentor do Rock in Rio, investiu em mim. Escrevi a biografia dele em quatro meses, para lançarmos em Portugal, num Rock in Rio Lisboa.

Ana Lúcia Neves e Marcos Eduardo Neves

Em seguida, o Francisco Horta me contratou para escrever sobre ele. Em paralelo, descobri uma história fascinante e a investiguei. Daí saiu a biografia do Heleno de Freitas, meu maior sucesso comercial. Lancei o livro em 2006 e as vendas foram muito boas. A história é sensacional. Muita gente se apaixonou pelo livro – e duas pessoas, em especial, correram atrás e fizeram um filme sobre o personagem: o José Henrique Fonseca e o Rodrigo Santoro. Quando acontece de vir um filme por trás, a visibilidade aumenta de forma considerável. Assim, pegando carona na cauda do cometa, “Nunca houve um homem como Heleno” foi relançado pela Zahar, e os resultados estão simplesmente esplêndidos.

Agora, me fale sobre esta tua paixão sobre futebol e quando você decidiu fazer dela o assunto principal de teus livros.

Sempre gostei de futebol, desde criança. Aos 12 anos de idade, fui gandula do Flamengo, na época do Zico. Aos 15, já tinha o sonho de escrever a biografia do Renato Gaúcho, que era o meu ídolo. Isso só veio a se concretizar quando amadureci. Decidido a ser escritor, peguei autorização dele para mergulhar em sua história. Faz 10 anos que lancei este livro. Depois, fiz um sobre a Máquina Tricolor porque sempre tive curiosidade em relação ao que acontecia no Rio de Janeiro na época em que nasci, 1975. O livro do Heleno foi uma sugestão do Luiz Mendes, jornalista contemporâneo ao “craque-galã”. Santa sugestão, por sinal. Sempre me disseram que futebol e livro não dão dinheiro. Pode realmente não me tornar um milionário, mas tenho enorme prazer em trabalhar com essa dupla.

Tem algum novo projeto literário em andamento? Pode contar para nós?

Venho finalizando um livro sobre os 20 maiores jogos do Flamengo, que vai sair pela Maquinária. Há também a biografia do Evandro Teixeira, aquele fotógrafo de nível internacional que fez carreira no grande Jornal do Brasil e registrou as principais imagens da ditadura militar. Esse sairá pela Casa da Palavra.

Estou escrevendo o livro infantil “O Pequeno Grande Escritor” e revisando um thriller chamado “Encruzilhadas – Um Anticristo no Rio de Janeiro”. Espero que estes dois saiam pela Zahar. Além disso, faço outros livros por encomenda. Afinal, todo mundo tem um parente ou alguém com uma história interessante, e pode fazer um livro biográfico para os amigos e parentes, para um público menor. Estes eu faço pela minha própria editora, a Rotativa (www.rotativa.art.br).

Por fim, você gostaria de falar algo para os leitores da Central 42?

Digo sempre para todos aqueles que sonham um dia publicar um livro. Não desistam! Muita gente vai dizer que é loucura, que você está perdendo tempo, mas, lembre-se, eles que estão. O livro fica, as pessoas vão. Corra atrás do seu sonho. Livro é como filho. Você fica louco se alguém fala mal dele, você se delicia quando o elogiam, você o pega com carinho, o acaricia, coloca na prateleira e todo dia olha para ele, para ver se está bem. Quando ele não chega da gráfica, é pior que véspera de parto, tamanha a ansiedade. E quando ele surge na sua mão, literalmente nasceu – você não quer mais se desfazer dele. Não o empresta quando não tem outros próximos, num misto de ciúme e posse. Enfim, livro é um barato. Mas sai caro transformar sonho em realidade. Pouca inspiração, muita transpiração. Em todos os sentidos. Um forte abraço a todos.

 

Nunca Houve Um Homem Como Heleno 

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Autor: Marcos Eduardo Neves
Gênero: Biografia/Memória
Editora: Jorge Zahar
Foram 39 anos de vida, 305 jogos como profissional e 251 gols. Heleno de Freitas era um turbilhão dentro dos campos – o grande ídolo do Botafogo na era pré-Garrincha, tendo jogado também pelo Fluminense, Vasco da Gama, Boca Juniors e pela Seleção Brasileira. Fora do gramado era um sedutor irresistível. De um amigo tricolor do Clube dos Cafajestes ganhou o apelido Gilda, que remetia à personagem de Rita Hayworth no filme homônimo de Charles Vidor: linda, glamourosa e temperamental. Atributos que se encaixavam perfeitamente em Heleno. O jogador teve uma vida intensa. Ídolo nos gramados e frequentador da alta sociedade carioca, era boêmio, perfeccionista, impulsivo e viciado em lança-perfume e éter. No fim da vida, sofrendo de sífilis e consumido pela doença, foi internado em um hospital psiquiátrico em Barbacena, Minas Gerais. Morreu, em 1959, em um sanatório, considerado louco. Nunca houve um homem como Heleno é a fascinante história de um craque-problema do futebol nacional.
 
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